I’ll Try Anything Once - The Strokes.
De súbito a estranheza. Estranho-me como se uma câmera de cinema estivesse filmando meus passos e parasse de súbito, deixando-me imóvel no meio de um gesto: presa em flagrante. Eu? Eu sou aquela que sou eu? Mas isto é um doido faltar de sentido! Parte de mim é mecânica e automática — é neurovegetativa, é o equilíbrio entre não querer e o querer, do não poder e de poder, tudo isso deslizando em plena rotina do mecanicismo. A câmera fotográfica singularizou o instante. E eis que automaticamente saí de mim para me captar tonta de meu enigma, diante de mim, que é insólito e estarrecedor por ser extremamente verdadeiro, profundamente vida nua amalgamada na minha identidade. E esse encontro da vida com a minha identidade forma um minúsculo diamante inquebrável e radioso indivisível, um único átomo e eu toda sinto o corpo dormente como quando se fica muito tempo na mesma posição e a perna de repente fica «esquecida».
Eu sou nostálgica demais, pareço ter perdido uma coisa não se sabe onde e quando.
(Fonte: incolumo, via doabismoasestrelas)
untitled by miwaramone on Flickr.
learn to appear
(Fonte: everything-went-black, via thingssheloves)
if you are a dreamer, come in by manyfires on Flickr.
É um gato dourado que ninguém mais tem. Está sempre de costas e olha longe, quase por cima do ombro - nunca sei se vai olhar para mim. É triste, esse gato. Solitário, esse gato. Cheio de alegrias contidas, esse gato. Fita algum mistério que eu persigo fascinado, pois tem a ver com as minhas histórias.
Não nos devemos nada, esse meu gato e eu. Entendemos o calado. Ele sabe que nunca vou lhe fazer mal, não vou prender nem domesticar. Sua liberdade eu curto, sua elegância eu vejo, sua dor eu entendo: é aquele a quem quero dar doçura e riso.
E quando ele sai de sua casa dourada e vem, somos um para o outro a alegria.