1. pertodocoracaoselvagem:

    I’ll Try Anything Once - The Strokes.

     


  2. De súbito a estranheza. Estranho-me como se uma câmera de cinema estivesse filmando meus passos e parasse de súbito, deixando-me imóvel no meio de um gesto: presa em flagrante. Eu? Eu sou aquela que sou eu? Mas isto é um doido faltar de sentido! Parte de mim é mecânica e automática — é neurovegetativa, é o equilíbrio entre não querer e o querer, do não poder e de poder, tudo isso deslizando em plena rotina do mecanicismo. A câmera fotográfica singularizou o instante. E eis que automaticamente saí de mim para me captar tonta de meu enigma, diante de mim, que é insólito e estarrecedor por ser extremamente verdadeiro, profundamente vida nua amalgamada na minha identidade. E esse encontro da vida com a minha identidade forma um minúsculo diamante inquebrável e radioso indivisível, um único átomo e eu toda sinto o corpo dormente como quando se fica muito tempo na mesma posição e a perna de repente fica «esquecida».
    Eu sou nostálgica demais, pareço ter perdido uma coisa não se sabe onde e quando.
    — Clarice Lispector (via doabismoasestrelas)

    (Fonte: incolumo, via doabismoasestrelas)

     

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  4. gildings:

    untitled by miwaramone on Flickr.

     

  5. doabismoasestrelas:

    learn to appear

     

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  9. É um gato dourado que ninguém mais tem. Está sempre de costas e olha longe, quase por cima do ombro - nunca sei se vai olhar para mim. É triste, esse gato. Solitário, esse gato. Cheio de alegrias contidas, esse gato. Fita algum mistério que eu persigo fascinado, pois tem a ver com as minhas histórias.
    Não nos devemos nada, esse meu gato e eu. Entendemos o calado. Ele sabe que nunca vou lhe fazer mal, não vou prender nem domesticar. Sua liberdade eu curto, sua elegância eu vejo, sua dor eu entendo: é aquele a quem quero dar doçura e riso.
    E quando ele sai de sua casa dourada e vem, somos um para o outro a alegria.
    — Lya Luft, O ponto Cego.
     

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